Escolas Elza Breves e Ritler de Lucena têm mudanças positivas

Os altos índices de violência e baixo nível de escolaridade foram os principais motivos para a decisão de implantar o Ensino Básico Militar (EBM) nas escolas da rede estadual Professora Elza Breves de Carvalho, localizada no Conjunto Cidadão, bairro Senador Hélio Campos, e Ritler Brito de Lucena, situada no bairro Nova Cidade, ambos na zona Oeste.

 

Três meses após terem sido militarizadas, a reportagem da Folha retornou às duas unidades de ensino e constatou as melhorias de ensino e disciplina. Na modalidade EBM, são 2.200 alunos matriculados na escola Luiz Rittler de Lucena, e 1.080, na escola Elza Breves.

Segundo o diretor da escola Elza Breves, coronel Filgueiras, a unidade possuía um dos piores índices de educação básica do Estado antes de ser militarizada. “A escola foi escolhida para ser militar em razão de problemas de disciplina ocorridos na escola, que tinha um dos piores IDEB [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica]. A aprovação não chegava nem a 50%. Havia constantes manifestações de indisciplinas nesse colégio”, lembrou.

Conforme ele, as melhorias nas partes disciplinares e pedagógicas da escola chegaram a 80% após o Ensino Básico Militar. “Nos três primeiros meses que estamos aqui mudamos 80% com relação a comportamento. A grande diferença de um colégio militar para um civil é a disciplina. A parte pedagógica segue a mesma e o nosso papel é a implantação da disciplina, eles cantam o hino nacional, entram em forma e respeitam os alunos e professores”, destacou.

Nesse período, o diretor da unidade afirmou que não houve expulsões por indisciplina. “No início, alguns alunos não se adaptaram a esse tipo de metodologia. Nós não podemos manter o aluno aqui contra sua vontade.

Se ele não quer, chamamos os pais, conversamos com eles, expomos a situação e, de comum acordo, já houve algumas transferências, mas nenhuma expulsão”, disse.

Para ele, a aceitação por parte dos pais dos alunos foi fundamental para o processo de implantação. “100% dos pais depositam muita expectativa na escola. Houve uma aceitação e participação. Nas primeiras reuniões de pais e mestres, vinham poucas pessoas e tínhamos que oferecer uma cesta básica para que os pais viessem. Hoje a gente faz as reuniões e enche as escolas, os pais fazem questão de estar presentes, e inclusive reativamos a associação de pais e mestres”, ressaltou.

Os índices de violência do bairro, segundo ele, também diminuíram. “Após a implantação do EBM nessa escola, todo o entorno sofreu uma transformação positiva. Só a presença da polícia aqui dentro com viaturas na frente da escola afugenta quem pratica atos ilícitos”, frisou.

A modalidade consiste na observância das prescrições regulamentares, culto aos símbolos, comprometimento fiel dos horários, participação nos compromissos da unidade de ensino, hierarquia e disciplina.

Antes da implantação, os alunos receberam as instruções e treinamento de como é a disciplina no ambiente escolar. O governo se baseou no acompanhamento dos indicadores educacionais do Colégio Militar Estadual Cel. PM Derly Luiz Vieira Borges, criado há quatro anos, para estender a modalidade às demais escolas da rede pública estadual, sendo, no primeiro momento, um projeto piloto.

Segundo o comandante da Polícia Militar de Roraima, coronel Dagoberto Gonçalves, a corporação cuida da disciplina e organização do ambiente escolar, e, nesse sentido, os avanços foram em grande escala nas duas escolas, com comportamentos e controle da disciplina e poucos problemas de indisciplina e quase zero de crimes que aconteciam no ambiente escolar.

Na escola Elza Breves, por exemplo, a Polícia Militar, por meio da Companhia de Polícia Comunitária, implantou, com os alunos, o projeto de prevenção “Picasso não pichava”, onde os estudantes trocaram a pichação por aulas de grafismo, ministradas por um policial militar fardado, que contribui para a mudança do ambiente escolar e a sensibilização dos alunos quanto à conservação do prédio escolar. Outro projeto implantado nas duas unidades de ensino foi o Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd), nas turmas de 7º ano do Ensino Fundamental. (L.G.C)

Por Luan Guilherme Correia

Em Folha de Boa Vista no dia  10/08/2016 às 00:57